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Caminho Livre para a inclusão do Deficiente Visual

 

Boa educação vem de berço

Publicado em 25/02/2011 por Renato Tadeu Barbato em Discutindo a Deficiência com 0 comentários

Iniciando descrição da imagem...Foto mostra um bebê com uma toalha azul na cabeça. Do lado direito há um balaõzinho com um berço dentro e abaixo está escrito obrigado. Iniciando texto...

Um dia desses, estava conversando via internet com uma amiga vidente, e ela me falou de uma situação constrangedora que presenciou. Isso me colocou novamente a meditar sobre a nossa situação.

Ela me fez o seguinte relato:

- Eu estava na estação Barra Funda do Metrô quando presenciei um rapaz se
oferecendo para auxiliar um deficiente visual, situação para mim, tida como normal e qual não foi o meu espanto e das demais pessoas, quando o deficiente começou a gritar dizendo que não precisava de ajuda e que podia andar muito melhor que qualquer vidente.

- Me lembrei de você, de como trata bem quem te oferece ajuda e fiquei
pensando na dificuldade que algumas pessoas tem para lidar com seus problemas.

Já não foi a primeira vez que recebo esse tipo de reclamação como a que minha amiga Dalila relatou.

Certo dia, um morador de rua disse ter sido destratado por um deficiente visual que bateu a bengala nele, no caminho para uma instituição e ainda o agrediu verbalmente chamando-o de cachaceiro, bebum, e que deveria sair da frente e não impedir a sua passagem. Cena deprimente, principalmente por se tratar de uma pessoa já abandonada pela sociedade.

De outra vez, em um elevador de uma estação do metrô, um cadeirante também me fez a mesma reclamação, alegando ter sido ofendido por um deficiente visual quando este, bateu a bengala em sua cadeira, começou a indagar por quê ele saía de casa, se era somente para atrapalhar as pessoas, ou ficar no caminho delas impedindo-lhes a passagem?

Um último relato: voltando de uma consulta de fisioterapia, próximo ao Pronto Socorro do Tatuapé, uma enfermeira que trabalha nesse hospital, me perguntou se eu precisava de ajuda, quando prontamente respondi:
- Claro que sim, afinal, essas calçadas tão esburacadas, impedem que eu ande mais rápido e estou com pressa.

Foi quando ela me confidenciou:

- Estava meio receosa de me oferecer para ajudá-lo, porque outro dia, eu me
ofereci para auxiliar um deficiente visual que saía do hospital e quase fui agredida. Ele se virou e quis me dar umas bengaladas dizendo que não precisava de ajuda de ninguém. A partir desse dia eu nunca mais me ofereci para auxiliar nenhum deficiente, hoje foi a primeira vez, e mesmo assim com receio de ser mal tratada.

Essas confidências só aconteceram, por duas razões: ou porque agradeci a ajuda, ou porque ao bater a bengala nas pessoas, eu pedi desculpas, como qualquer ser humano normal deveria fazer.

Não sou Deus, vice-Deus, ou candidato a santo, tenho consciência que possuo muitos defeitos, mas acredito que me relacionar bem com as outras pessoas, é no mínimo uma demonstração de educação e respeito, afinal, eu convivo em uma sociedade e não estou sozinho no mundo.

Tudo isso me fez pensar a respeito do que estamos fazendo com os videntes que querem auxiliar as pessoas portadoras de deficiência.
Necessitamos de auxílio em várias situações, como para nos locomovermos em segurança pela cidade, para atravessar ruas e avenidas movimentadas, assim como necessitamos de auxílio para pararmos um ônibus e tantas outras situações em que necessitamos do auxílio de videntes para suprir as limitações impostas por nossa deficiência.

E o que estamos fazendo com os videntes? Estamos afastando-os de nós, além de passar a idéia de que todos os deficientes visuais são sem educação e revoltados.

Já pensaram o que pode acontecer daqui a algum tempo?

Com certeza, não vai demorar o dia em que ficaremos horas esperando o auxílio de uma boa alma, e ninguém fará essa gentileza, simplesmente porque nós afastamos os videntes do nosso caminho.

Ninguém em sã consciência, gosta de ser maltratado, ou em sendo maltratado vai voltar a fazer o mesmo gesto para novamente levar pancada. É isso que queremos, sermos abandonados pelas pessoas que só querem ser gentis?

Existiu no Rio de Janeiro um homem conhecido como Profeta Gentileza, que tinha com Lema, a seguinte frase: “Gentileza gera gentileza”.

Aí eu pergunto: como queremos ser tratados: com gentileza ou grosseria?

Também já presenciei deficientes dando respostas atravessadas ou fazendo
piadinhas quando alguns videntes lhes fazem perguntas. Essas perguntas podem até ser inconvenientes ou nos parecer bobas, mas eles estão tentando saber como nos auxiliar, pois, não existe nenhum programa de conscientização e esclarecimento de como tratar uma pessoa portadora de deficiência.

Então, porque ao invés de fazermos piadas ou responder atravessado, não procuramos esclarecer os videntes sobre questões que para nós podem ser muito lógicas e coerentes, mas, para os videntes não é tão lógico e coerente assim, afinal, eles não vivem a nossa realidade.

Vamos meditar sobre essas considerações, para que agora, que estamos saindo às ruas, possamos deixar um legado de boa Vivência e Convivência para os futuros deficientes, que com certeza estarão mais incluídos na sociedade que nós, pois, somente agora é que os deficientes visuais estão mostrando que existem e que são pessoas como as outras

Para isso, temos que fazer um trabalho de formiguinha.

A diversidade da sociedade existe e não somos nem iguais, nem melhores, nem piores que as outras pessoas, somos apenas diferentes como qualquer habitante do planeta é diferente do outro.Portanto, vamos fazer da frase do grande Profeta Gentileza o nosso lema para podermos deixar pessoas melhores para o nosso planeta.

Afinal:

“Gentileza gera gentileza”.


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