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Caminho Livre para a inclusão do Deficiente Visual

 

Acessibilidade Atitudinal: Quando Somos Acessíveis?

Publicado em 09/10/2010 por Irene de Barros Pereira em Acessibilidade com 6 comentários

Iniciando descrição da imagem...Imagem no estilo desenho, mostra no centro um ponto de ônibus. A esquerda há um deficiente visual e a sua direita um vidente. Sobre o deficiente visual está escrito

Acessibilidade Atitudinal, nada mais é que a atitude pessoal de cada indivíduo. Aparentemente é algo simples, mas como veremos no texto abaixo, ela vai além do discursso, e por isso mesmo faz a diferença entre estarmos na sociedade como cidadãos que sonos, ou à margem dela, como cidadãos sem cidadania.

Como abordar um deficiente visual? É uma pergunta provocativa, mas essa é a intenção: “PROVOCAR”.

Se estiver em uma sala, onde também esteja presente um deficiente visual e precisar passar um recado, uma informação ou aviso pra ele, como você o faz?

A pergunta pode parecer estranha, mas tenho certeza que você parou para pensar antes de responder, digo isso por ter feito a mesma pergunta a muitas pessoas e todas, sem exceção, pararam para pensar no assunto.

Imaginemos uma situação comum...

O ambiente: nada mais comum que uma parada de ônibus, onde pessoas vêm e vão, vindas de todos os lugares e indo em direção à toda cidade e pelas mais diversas razões.

Lá está você, esperando por seu ônibus e eis que chega aquela figura com uma bengala na mão e se posta junto às outras pessoas.

O que você faz? Provavelmente se põe a observá-la, não é mesmo? O seu ônibus não chega e por isso, percebe que dois ônibus passam, e nenhum deles serve para aquela pessoa.

Como soube disso? Simples: a pessoa fez sinal para os ônibus, que pararam e abriram a porta, neste momento, você ouve o deficiente fazer uma pergunta para dentro do ônibus.

Você não ouviu a resposta, pois continua a uma certa distância do deficiente, a mesma em que estava quando ele chegou, mas pôde ouví-lo perfeitamente agradecendo e pôde vê-lo voltar o corpo à posição anterior.

Pensa com seus botões por quê o indivíduo fez aquele movimento de corpo e chega à conclusão de que o fez para poder ouvir a resposta à sua pergunta.

Bem, o que você tem de concreto até agora? Uma parada de ônibus, onde pessoas esperam por aquele que os levará ao seu destino, mas, entre elas está um deficiente visual.

Estranho? Incomum? Talvez nem tanto. O estranho e incomum é a situação em si, pois aquele indivíduo não enxerga e portanto não tem como saber se o veículo que se aproxima é um ônibus, e se for, não tem como saber se aquele é o ônibus que precisa pegar.

Volto a perguntar: o que você faz nessa situação: segue seu caminho ou se aproxima? Qual é a sua ATITUDE?

Lembra da pergunta do título deste texto: quando é que somos acessíveis? Se para a pergunta você respondeu: me aproximo do indivíduo com o propósito de auxiliá-lo, você teve ATITUDE.

A isso, nós damos o nome de ACESSIBILIDADE ATITUDINAL, ou seja, ATITUDE PESSOAL, que se traduz também como solidariedade.

Essa Acessibilidade, vai além do contato eventual em que acabei de descrever, ela pode estar presente em todos os ambientes: no trabalho e em ambientes públicos, como uma parada de ônibus, um bar, uma sala de espetáculos, um restaurante, etc.

Não bastasse isso ser uma questão de educação, solidariedade, ser humano e fraterno, é também uma questão de direito, pois a Lei de Acessibilidade, garante a todos que têm necessidades especiais, um tratamento digno e respeitoso.

Quando em um ambiente público a acessibilidade arquitetônica não corresponde ao que a lei determina e não por uma questão de cumprimento de lei, mas para garantir aquele que precisa, ter assegurada a sua dignidade e segurança, esse ambiente precisa suprir essa lacuna com a ACESSIBILIDADE ATITUDINAL.

Reforço porém, minha opinião pessoal de que essa Acessibilidade é, antes de mais nada, uma questão de educação e respeito por outro ser humano, independente dele ter ou não uma necessidade especial.

A quem cabe dar o primeiro passo?

Isso significa que aquele que necessita de Acessibilidade Atitudinal, também precisa compreender que muitas pessoas não sabem como se aproximar. Não sabem que no caso do nosso amigo, o correto seria que ele fosse tocado no ombro, ou na mão, e assim saber que estão falando com ele.

Mais uma vez, digo o que já foi dito, a INCLUSÃO é uma via de duas mãos, e é impossível acreditar que só o outro tem obrigações, ou que só o outro tem direitos, fazemos todos parte de uma mesma sociedade onde cada um tem seu papel a exercer.

Aos interessados pelo assunto, basta acessar em qualquer site de busca (lei de acessibilidade), lá encontrarão maiores detalhes sobre a lei, ou pode acessar este endereço: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10098.htm

Se preferir, junte-se a nós do Movimento Livre e reflita conosco sobre o assunto agora mesmo.


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6 Comentários

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Renato Tadeu Barbato disse em:

11/10/2010 - 10:31:27

Concordo plenamente com a colocação de ser uma via de duas mãos, porque para que as pessoas que enxergam possam nos auxiliar é necessário que nós expliquemos para elas o como nos ajudar, afinal não existe nenhum manuel de instruções pindurado em cada deviciente visual.
E sinto que é basicamente o que falta, esta interação para que possamos nos explicar e sermos entendidos, não se esqueçam que os videntes não são bicho de sete cabeças e nem assombração, como também os videntes tem que entender que não somos bonequinhos de porcelana e não quebramos.
Sinto que muitos videntes ainda tem a idéia de que somos estranhos no ninho, porque vejo que muitos não nos dirije a palavra, talvez pensando que não pensamos ou ouvimos, então dirijem-se aos nossos acompanhantes ou pior ainda a alguém que simplesmente esta próximo a nós sem nem nos conhecer.
Tenho dois fatos engraçados que podem ilustrar isso.
Outro dia quase esmaguei uma senhorinha no ônibus, entrei, dei uma batidinha de bengala e acho que ela se escondeu para que a bengala não pegasse nas pernas dela.
Pensando que não tinha ninguém sentado, eu comecei a sentar e só parei quando senti duas mãozinhas frágeis me empurrando com todo o cuidado para que eu não sentasse em seu colo.
Aí que eu ouvi alguém ao lado falando:
Tem gente sentada aí.
Nem nessa hora ela falou comigo e sei que ela não era muda porque agradeceu a pessoa que falou por ela.
Dia destes entrei na lotação e ouvi a cobradora, numa voz de desespero, começar a falar quade chorando:
Ai meu Deus, ai meu Deus.
Só faltou ela sair correndo, gritando e chorando, porque pelo visto ela nunca tinha pego um cego para andar na lotação que ela trabalha.
Fiquei na dúvida se explicava ou se dava risada.
Optei pela segunda idéia e só ao descer é que consegui explicar como nos auxiliar.
Senti que ela ficou aliviada, mas que valeu a pena as risadas valeu.
Então já que não existem campanhas de esclarecimentos, penso que nós é que devemos fazer esta campanha no boca a boca ou no corpo a corpo, afinal os maiores beneficiados seremos nós mesmos.
Um grande abraço.
PAZ E LUZ.


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Fabio - Movimento Livre disse em:

11/10/2010 - 19:55:24

É a acessibilidade, derrepente que se torna mais dificil de adquirir, pois com o passar dos anos vemos que a solidariedade ainda existe mas o respeitos uns com os outros está caindo cada vez mais. E alguns itens deste tipo cai na questão de respeito. Vejo como exemplo a questão dos bancos reservados nos trens e metrôs. Se não precisaria ter uma lei para estes bancos. Pois apenas por respeito as pessoas se levantariam. No caso dos ônibus as pessoas poderiam já a oferecer a ajuda assim que chegasse ao ponto..


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William disse em:

12/10/2010 - 15:10:43

Estamos devagarzinho assumindo nossa cidadania como a Irene comentou no texto o quão é importante darmos o primeiro passo de mudar este quadro de desprendimento das questões coletivas que compreende nós e o próximo independente de suas características, somos iguais perante a constituição mas, esta igualdade de direitos na prática ainda as pessoas têm dificuldade de entender e cabe a nós informá-los pois,somos os mais indicados para falar por nós.
Tenho muita esperança que a sociedade em breve vai estar muito melhor posicionada nestas questões pois está ocorrendo mobilizações e não podemos deixar de lutar para que a não cidadãnia, o individualismo, o jeitinho brasileiro de levar vantagem, a miséria humana e outras tantas barreiras que estão invadindo nosso cootidiano e nos tornando seres infelizes, impessam o avanço da solidariedade, da cooperação, do carinho entre as pessoas, da luta organizada por uma causa, o patriotísmo.

William


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Irene de Barros disse em:

18/10/2010 - 00:30:10

Olá, pessoal.
Todos temos uma história pra contar, não é mesmo? O importante no final, é o que estamos fazendo, ou seja, discutindo a questão e a realidade dos deficientes visuais que de um modo geral é muito parecida umas com as outras.

É importante percebermos que o nosso papel é de vital importância, e que é através da nossa Atitude que a transformação do indivíduo ocorrerá, e terá assim, como conseqüência, a trans formação da sociedade. Quando esse momento chegar, falaremos apenas de amenidades.


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Carlos Renato disse em:

01/11/2010 - 20:17:27

Para nós que adquirimos essa consientização, seja de forma imposta (acidente/congênito) ou através da sensibilidade (inteligência), sempre que possível estarmos em palestras, reuniões ou qualquer evento onde possamos falar e orientar principalmente as crianças que são o nosso futuro !


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Irene de Barros disse em:

16/12/2010 - 21:24:56

Olá pessoal, só passei por aqui pra perguntar a quantas anda a nossa Acessebilidade Atitudinal?

Temos prestado mais atenção a essa parte importante de nossa inclusão? Afinal, a atitude do outro também depende da nossa postura diante dele, como bem diz nossa amiga Marly, não podemos esquecer que a inclusão, é uma via de duas mãos.

Grande abraço



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